CEEE EQUATORIAL E OS EFEITOS DA SUA PRECARIZAÇÃO


Sociedade Gaúcha,
O Sindicato dos Eletricitários no Estado do Rio Grande do Sul - SENERGISUL vem a público manifestar sua profunda indignação e repudiar, mais uma vez, a demora inaceitável no restabelecimento de energia após os últimos temporais. O que a população que depende da CEEE Equatorial está vivenciando hoje não é uma fatalidade do clima, mas sim, o resultado previsível de um modelo de gestão falido, baseado na precarização extrema e no lucro acima da vida.
Há muitos anos este Sindicato vem avisando e denunciando a péssima condição de atendimento e a lenta substituição pela Equatorial dos postes de madeira das suas redes de distribuição, alertando sobre as péssimas condições da maioria destes, pois mal conseguem ficar erguidos. O que vemos hoje são redes de distribuição de energia completamente sucateadas e uma quantidade alarmante de postes de madeira podres, que foram os mais atingidos pelos ventos. A Equatorial já poderia e deveria ter substituído esses postes muito antes das tempestades. No entanto, a empresa prefere ver os postes caírem e derrubarem redes inteiras, deixando milhares de famílias no escuro, do que investir em manutenção preventiva.
A crise da falta de luz na área de concessão da Equatorial é essencialmente gerada por uma gestão inadequada, sem experiência em eventos climáticos severos, focada em supérfluos e no lucro, e não na solução dos problemas reais de melhoria da rede básica de distribuição. A gestão da empresa também desrespeita os trabalhadores terceirizados ao promover uma gestão incompetente dos contratos.
A CEEE Equatorial tem a sua operação sustentada por empresas terceirizadas inexperientes, que não disponibilizam aos trabalhadores o treinamento técnico adequado e os expõem a riscos graves de acidentes. Os trabalhadores terceirizados são submetidos a cargas de trabalho exaustivas que superam as 10 horas diárias e com salários e benefícios muito inferiores, comparados aos dos trabalhadores diretos da Equatorial. As empresas terceirizadas, em muitos casos, não pagam horas extras e sequer fornecem alimentação adequada em campo. Os eletricitários que se negam a aceitar esse regime de quase escravidão e exploração são sumariamente demitidos por justa causa forjada pelas empresas.
Para que se compreenda a gravidade do erro de gestão, vale um exemplo didático: imaginem a construção de uma estação rodoviária moderna, luxuosa e tecnológica. De que serve essa rodoviária se não houver rodovias e estradas adequadas para os ônibus chegarem até ela? Ela perde totalmente a sua finalidade. É exatamente isso o que a Equatorial faz. A empresa faz propaganda de investimentos e melhorias em subestações de energia, mas negligencia a rede básica de distribuição que chega até a casa do consumidor. Mantém uma estrutura totalmente obsoleta. O resultado é óbvio: toda vez que houver um temporal, essas redes vão cair e os postes continuarão indo ao solo.
A realidade é dura, mas precisa ser dita de forma direta: a CEEE Equatorial precisa evoluir muito para conseguir entregar um atendimento que seja considerado apenas ruim. Enquanto não houver investimento para substituição da rede de distribuição – composta em sua maioria por postes de madeira e cabos sem proteção – por rede com poste de concreto e cabos protegidos para evitar atrito de galhos de árvores, a população gaúcha atendida pela Equatorial vai continuar a cada temporal severo sem previsão de retorno de energia nas suas residências e estabelecimentos comerciais.
Hoje o serviço está muito abaixo do que o Povo Gaúcho merece receber.
Seguiremos firmes na denúncia e na luta pela dignidade dos eletricitários e pelo direito da população a uma energia segura e de qualidade.
O SENERGISUL SOMOS TODOS NÓS!
A Diretoria.
SENERGISUL - HÁ 84 ANOS AO LADO DA CATEGORIA ELETRICITÁRIA!
Fonte: SENERGISUL



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